Durante as últimas décadas, a sociedade tem assistido a um conjunto de avanços científicos e tecnológicos sem precedentes na História da Humanidade. A tecnologia, de forma mais particular, transformou radicalmente a vida de todos nós, com toda uma série de aparelhos e aplicações digitais que facilitam de forma significativa o nosso dia-a-dia, poupando tempo e energia e permitindo realizar todo o tipo de tarefas em qualquer lado, praticamente com um dedo. Para além desta vertente eminentemente prática, o universo digital oferece também inúmeras possibilidades destinadas ao lazer e à comunicação, nomeadamente, jogos de todo o tipo, redes sociais, sites de encontros, compras online, serviços diversos, etc. É neste ponto que a tecnologia pode tornar-se preocupante, especialmente para os mais jovens, porque foram atingidos de forma massiva.
Por um lado, estes avanços científico-tecnológicos deram lugar a novas áreas de conhecimento que, por sua vez, deram lugar a novos cursos superiores e, consequentemente, a todo um leque de novas oportunidades profissionais. Por outro lado, esse deslumbramento pelas áreas científicas fez com que estas ganhassem terreno paulatinamente, em detrimento das Humanidades.
O que distingue o ser humano do resto das criaturas é a sua capacidade para processar o pensamento, a suas capacidades criativas, assim como a sua capacidade para verbalizar esses pensamentos e idéias, que se registam a vários níveis, nomeadamente, intelectual, emocional e espiritual. No entanto, estas capacidades extraordinárias estão a ser postas em causa pela excessiva dependência dos dispositivos tecnológicos, que deveriam ser um complemento útil, mas que na verdade estão a transformar os nossos jovens em seres inertes, mentalmente preguiçosos e nada proativos, porque vivem na convicção de que, em caso de necessidade, haverá sempre uma aplicação qualquer que resolverá o problema.
Não se trata de lutar contra o progresso. Não podemos nem devemos. Trata-se, sim, de progredir em equilíbrio e de forma consequente com a nossa condição de seres humanos e não Deuses. A Filosofia, a História, as Artes, as Línguas, a Literatura, são essenciais (e agora mais do que nunca) para o adequado desenvolvimento do indivíduo, caso contrário, aquele Homo Erectus que evoluiu ara o Homo Sapiens vai perder a condição de Erectus, vergando-se, servilmente, perante as tecnologias e a inteligência artificial.


